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terça-feira, 12 de junho de 2012

A contemplação

O jubileu de Clara de Assis, no ano de 2010, trouxe o tema da contemplação. Não é fácil para nós, pessoas de intensa vida de atividades, falarmos da experiência contemplativa. A contemplação passa longe de nosso jeito; e por isso também não é fácil falarmos da contemplação em Clara de Assis. Quando vamos ao conceito de contemplação não é difícil, basta olharmos a experiência monástica. Mas Clara escapa da prisão dos conceitos; em Clara de Assis há algo sutil e especial; ela cria condições internas e externas para a intimidade com o Esposo. Na interioridade está o silêncio e a natureza própria do lugar, o mosteiro e a natureza que a envolve (ser Esposa). Na exterioridade ela cria as melhores condições de vida fraterna ( ser Mãe e Irmã). É algo forte de amor esponsal, fraternal, filial, intensamente espiritual e afetivo. A contemplação em Clara é um estado de vida. Viver com os olhos da alma, viver com os olhos da prece, viver com olhar amoroso. A contemplação de Clara é uma presença agradecida, reconhecida, reverente, eucarística, olhos e ouvidos na Palavra, é uma  pura restituição: dar ao Senhor o que lhe pertence.

sábado, 9 de junho de 2012

Inspiração originária da forma de vida de Santa Clara

Na presente reflexão tem-se por objetivo fazer algumas considerações acerca do primeiro capítulo da Forma de Vida de Santa Clara, aprovada oficialmente pelo Papa Inocêncio IV, aos 09 de agosto de 1253, dois dias antes de sua morte. A leitura do primeiro capítulo nos sugere destacar três aspectos fundamentais da Forma de Vida clariana: a origem, o conteúdo central e a obediência e reverência ao senhor Papa (Igreja romana) e ao bem-aventurado pai Francisco (Ordem).
O título do primeiro capítulo da Forma de Vida indica que o processo de conversão de Clara ao Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo tem início em Deus mesmo: “Em nome do Senhor começa a forma de vida das Irmãs Pobres”. Isto quer dizer que o Senhor fixou terna e afetuosamente sobre ela o Seu olhar e suscitou nela uma resposta, consciente e livre, de amor total a Ele (cf. 2In 19-20). Jesus Cristo acendeu nela o ardentíssimo desejo de deixar todas as vaidades desta terra e unir-se ao Cordeiro imaculado como sua digníssima esposa. Clara reconhece que a sua vocação é, antes de tudo, uma especial graça de Deus, pois “quanto maior e mais perfeita, mais a Ele é devida” (TestC 2s).